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O Conde, de Ivan Grycuk...

Crônicas, textos, opniões, histórias e poemas... por Ivan Grycuk. 19 anos. Palmeirense! Acadêmico de Administração pela UFSM.


2.29.2008

O que combina com amar?

Talvez a melhor resposta para essa pergunta seja unânime: ser amado. Mas como disse Nelson Rodriquez: "Toda unanimidade é burra!"

Para tentar obter melhores resultados, consideremos que, a partir do próximo ponto, "amar" signifique "amar e ser amado" - pelo menos até o fim do texto. O que combina com amar?

Se você respondeu que "depende", "uma boa cama", "um bom passeio" ou coisas mais ou menos nessa linha, você não está muito diferente do padrão. Se não...

Talvez um beijo, bem longo e molhado, combine bem com amar. Mãos dadas, abraços, longas conversas... também são excelentes candidatos à resposta.

É claro que a palavra amar levanta vários outros significados: o amor de amigo - "amor sem sexo é amizade!", para citar um trecho de Amor e Sexo, da Rita Lee... quem é amigo ama! -, tem o maior amor do mundo, o amor incondicional, o amor mais apaixonado de todos, mais babão, mais tudo o que é capaz de ser: o amor de mãe! - muito famoso, por sinal -... tem aquele amar entre pessoas e coisas: Ronaldo e bola, Bruce Dickinson e heavy metal... e por ai vai... amar!

O que combina com amar? Meu voto vai para as mãos dadas! Seja com a namorada, com amigos, com a mãe, com um cd...! Mãos dadas sempre!

E para você? O que combina com amar?


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Parênteses:

Sempre quis escrever um poema sobre café. Pena que não consegui ainda, ou não... vai saber?! Talvez um dia eu escreva um livro onde o café ocupe o papel principal... quem sabe?!

Tiva algumas idéias agora, tocando no assunto livro... talvez alguma delas funcione... por que não?!

Mas chega de milongas e perguntas sem respostas, né?!


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Um café e um bom livro...

Não existe coisa melhor do que sexo. Mas apesar disso, várias coisas não muito ligadas ao ato também entram na minha lista de "melhores coisas do mundo". Exemplos? Café, um bom livro, música alta, pizza...

Ler um bom livro, com uma xícara quente, cheia de café ao lado e, para completar, alguns pedaços de chocolate... e melhora mais ainda com a alma gêmea deitada numa das minhas pernas, respirando um sonho... e eu fazendo cafuné nela.

Ouvir música alta! Talvez seja, ainda, reflexo da rebeldia de adolescente... que seja! Ouvir uma boa música, um bom rock, e bem alto! E pular! Pular e gritar como se eu fosse o vocalista da banda... isso tudo é muito bom! Mas fica ainda melhor com alguns goles de café!

Depois da pizza... um café! Depois do almoço, da janta... será que já virou vício?

Não tomo café sem açúcar. Para mim, café sem açúcar é que não é café! Nada contra os que pregam o contrário... mas que a propaganda deles é enganosa... áh, isso ela é, com certeza! Onde já se viu?! Café sem açúcar é a mesma coisa que sexo sem orgasmo!

"Como eu amo meus vícios!"... outro dia eu falo dos outros.


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2.25.2008

Volto na quinta ou na sexta!
(no máximo na segunda)


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Crônica de Hoje:
Psicopseudo norte americanos


Fazia tempo que não saia uma crônica...

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Psicopseudo norte americanos

Miss Janéty, a famosa psicopseudo-sei-lá-dos-que americana, além do preto Amim, já fez várias vítimas. O preto, sem dúvida, foi o mais famoso de seus homens. Mas nenhum deixou Miss Janéty tão impressionada, tão admirada e tão apaixonada quanto o Missionário Mr. Tómas.

Ele também era americano. Tinha aproximadamente 2,13m de altura, e pesava em torno de 113kg. Não chegava a ser gordo, mas tinha certa saliência na barriga, característica de muitos americanos altos. Gostava de futebol, aprendeu tudo que sabe sobre o esporte no Brasil. Acabou por virar corintiano, coitado, não sabe nada de futebol. Nunca conseguiu ficar bronzeado, ficava apenas vermelho, muito vermelho. E usava sandalhas o tempo todo.

Miss Janéty, baixinha, negrinha, narigudinha... era o par perfeito para Mr. Tómas. Os dois se amavam muito. Se casaram puros, ainda virgens, ele aos 42 e, ela aos 33. Passaram a lua-de-mel na Amazônia, no meio da selva, com uma tribo indígena semi-canibal, que uma amiga do casal, uma simpática senhora francesa, recomendara. Eram pessoas muito especiais os índios. Miss Janéty logo incorporou o espírito da tribo, depois de fumar um cachimbo de alguma erva nativa. Mr. Tómas, sem saber o que fazer, resolveu fumar também.

No dia seguinte, Mr. Tómas acordou com uma dor de cabeça fortíssima. Não conseguia enxergar direito. Ficou vários minutos sentado, olhando em volta, tentando focalizar algo, antes de compreender a situação. Lá estava ele - seu rosto, parte dos braços e parte das pernas absurdamente vermelhos em contraste com a branquidão do resto do corpo - completamente nu, no meio de vários outros homens, também nus, mas nenhum tão colorido quanto ele. Se levantou e sentiu uma sensação estranha...

Mr. Tómas foi procurar Miss Janéty. Entrou em várias outras tendas, quase todas com gente pelada amontoada, algumas não tinham ninguém. Quando achou a esposa, tentou fazer com que ela acordasse, mas não conseguiu. Pegou-a no colo, mesmo um pouco tonto, Mr. Tómas era um homem muito forte, e Miss Janéty era consideravelmente leve. Ele levou-a para a canoa estacionada não muito longe dali, e partiu com sua amada de volta para casa. Levou cerca de dois dias para chegar a cidade mais perto. Tinha várias frutas na canoa, suprimentos fornecidos pela floresta.

Miss Janéty só acordou em casa, quase quatro dias depois da grande festa. Acordou com dor de cabeça também, mas a primeira coisa que fez foi correr para o banheiro, nada de anormal, sempre fazia isso logo que acordava. Mas essa vez foi diferente. Ela gritou muito enquanto descarregava seja lá o que for. Mr. Tómas perguntou várias vezes se estava tudo bem. E Miss Janéty apenas berrava um quase imcompreensivel "yeah".

Depois do banheiro, foi a vez da cozinha. A mulher devorou todas as barras de cereais que haviam no armário do casal. Bebeu toda a água da geladeira. E voltou para o banheiro, para berrar mais.

Mr. Tómas, preocupado com a esposa, ligou para um amigo carioca, explicou a situação e pediu-lhe ajuda. O carioca não conseguia parar de rir e, o americano, explodindo de raiva, mandou-o à merda, muito educadamente.

Após alguns dias, Miss Janéty voltou ao normal. Voltou a sorrir e a fazer o arroz grudado que Mr. Tómas tanto adorava. Como eram felizes! E que casal lindo eles formavam! Nunca comentaram sobre a lua-de-mel. Nunca a recomendaram também. Não respondiam a qualquer pergunta sobre o assunto. Não chegavam nem a falar, apenas levantavam a mão, em um claro sinal de "PARE!".

Apesar de tudo, viveram no Brasil para sempre... cortaram relações com o amigo do Rio, aliás, nunca mais puseram os pés por lá. Nunca mais voltaram à Amazônia. Nunca mais fumaram qualquer coisa que fosse. E nunca mais fizeram sexo na vida.


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2.24.2008

Dica de banda:
Tara Perdida


Música:
Desalinhado

Tara Perdida é uma banda de punk portuguesa. E se você - como eu - é dos que gosta de ouvir músicas que quase ninguém conhece no Brasil, essa é uma boa escolha.


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Mudança de planos:

O livro Entrelinhas - Contos e Microcontos - para o qual o microconto "Cotidiano" foi selecionado - teve seu lançamento adiado para o dia 31/05/2008.

O local e o horário continuam os mesmos:
Na Casa das Rosas, Av. Paulista, 37, São Paulo - SP.
Das 16 às 19 horas.

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Não sei se é coisa minha... mas acho que tem alguma outra coisa nessa data...


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Um poema II:
Cada qual, cada um


O amor, o amar, a paixão, o ser e o estar,
Cada qual, cada um, cada parte, todos eles,
Amar, viver o amor, ser amado, estar apaixonado...
Cada qual, todos eles, cada parte, cada um.

Amar o amor, amar ser amado,
Ser e estar apaixonado... cada qual, cada um,
Todos eles, como um todo, não em partes...
Saber, conhecer, amar estar apaixonado.

Viver amando, sempre amando...
Ser, estar, saber, conhecer, amar e estar apaixonado,
Cada qual, cada um deles, todos eles,
Amar... ser, estar... saber que se está apaixonado.

Amar se apaixonar... amar ser apaixonado,
Viver o amor, compreender, conhecer, enlouquecer...
Amar e ser amado, se apaixonar,
Estar apaixonado.

Cada qual, cada um, todos eles, cada parte deles
Faz parte, complementa, aumenta, faz crescer e
Florescer cada parte, todos eles...
Cada qual, cada um, o amor...

Cada qual, cada um...
Amar... estar amando...
Se apaixonar... viver se apaixonando...
Estar e ser amado... viver como um eterno apaixonado.


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Um poema:
O sítio dos meus avós


Há um lugar no mundo,
Um lugar diferente, mais do que especial.
Lá, as flores cantam, os pássaros florescem, e
O verde mais verde do mundo é colorido até o fim,
Sim, é tão verde assim.

E há um lugar no mundo,
No mundo das lembranças,
No mundo da infância,
No mundo real, no mundo nosso,
No mundo meu...
Um lugar mais do que especial...
O sítio dos meus avós.

Lembro de correr,
De quase me perder...
De cair, me machucar, de me sujar,
Lembro dos mergulhos na piscina,
Dos churrascos, dos churrascos do meu tio.

Lembro de jogar volei,
De dormir na rede...
Lembro do armário das bolachas,
Do café de domingo e dos meus avós sorrindo.

Lembro de ler um livro,
Da vontade de escrever,
Lembro de todos os carros do meu avô
Chegando na garagem...
E me lembro de sempre correr até lá para dar-lhe um beijo.

Lembro das flores de minha vó...
Ela as podava, arrumava,
Nelas fazia plásticas, cirurgias, e
Até mesmo massagens...
Lembro que ela cuidava de mim
Como se eu fosse uma de suas flores...
Me arrumava, me dava banhos,
Me mimava e cuidava muito bem de mim, mas
Diferente das flores, ela também me levava para passear.

Lembro de algumas festas em família...
Do feijão do sitio...
Lembro do sorriso dos meus avós...

E como eu choro,
E como eu amo,
E como eu admiro o sorriso deles...
Amo aquele lugar,
O sitio dos meus avós...
E como eu amo o sorriso deles,
O sorriso que só eles sabem dar.


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2.22.2008

Domingo eu volto...


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2.21.2008

Crônica de Hoje:
A


Lá da janela, Arlinda gritou:
"Aonde?"
E alguém berrou de volta:
"Na feira!"

E Arlinda desceu as escadas correndo.
Atravessou a rua.
Dobrou algumas esquinas.
Percorreu o origame de ruas e, finalmente, chegou na feira.

Comprou alface e voltou para casa.


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2.20.2008

Crônica de Hoje:
A briga


Ela se trancou no quarto. Se trancou pensando em nunca mais sair de lá. Ele não merecia vê-la nunca mais. Nessas horas não se pensa muito em comer ou beber. Ela poderia viver anos dentro do quarto, se a raiva não passasse. Mas se aquela fúria fosse embora, era óbvio que as consequencias viriam. Era mais do que claro em sua cabeça o que aconteceria. Eles fariam as pazes. Tudo voltaria a ser como sempre foi. Ela era capaz de se manter irritada por um bom tempo apenas pensando sobre isso: "Tudo vai voltar a ser como sempre foi!". Nunca odiou tanto uma pessoa. Nunca sentiu tamanha vontade de chorar, mas também nunca sentiu tanta força dentro de si, a ponto de segurar o choro para não demonstrar qualquer fraqueza e, consequentemente, desejar estar nos braços dele. Não queria mais aquela vida. Não nascera para viver aprisionada a alguém como ele. Começou a arrumar a mala... "Não! Não posso fazer isso!". Não podia demonstrar fraqueza.

Foi para o banheiro da suíte. Lavou o rosto. Se olhou no espelho. "Que merda!", pensou. "Que merda!", disse baixinho.

Sentou-se na cama. "Que merda!", disse um pouco mais alto. Destrancou a porta e foi viver a vida dela.


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2.18.2008

Um poema:
Quero uma flor


Se eu fosse músico... esse seria o meu primeiro reggae.

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Quero uma flor

Quero uma flor
Que me chame de amor,
Que me ensine a aprender, e
Que me faça viver.

Eu quero uma flor
Que eu possa amar,
Cheirar e beijar,
Que me ensine a viver,
Que me faça aprender.

É, eu quero uma flor,
Eu quero amar, quero um amor.
Quero uma flor,
Que me ensine o amor,
Que aprenda a me amar, e
Que seja você.


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2.17.2008

Dica de blog - "blog irmão", aliás:
O Duque - Contos da vida, do meu grande (quase 2m) amigo André Fleuringer.


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Um poema:
Pensando, pensando e pensando melhor...


A vida é estranha,
Mas viver não é tão complicado,
Desejos vem e vão,
Amores, sim e não,
Em meio à essa tempestade de mentiras,
Que chamamos "exatidão".

Um beijo, um carinho,
Uma frase, um coraçãozinho,
As vezes amar não é tudo,
É preciso interação,
Até mais do que a simples emoção.

Pensando, pensando e pensando melhor,
Tudo se funde,
Tudo se anula, e tudo se rende,
Ao longo dessa nossa perdição,
Do fim, e da imensidão...

Amar é verbo e sentimento,
É vago, as vezes inconsciente,
Existe, mas ninguém o descobriu,
Um deus, um mito, um sonho... talvez nada disso...
Talvez muito mais...

Uma noite, uma dessas muitas,
Outro luar, outras estrelas,
Vários sonhos, muitos desejos,
Tudo se perdendo no meio do meu medo,
Num vazio cheio de nada, eu vivo em branco,
Ao longo desse pesadelo...

A vida é estranha...
E ela pode até ser complicada...
A vida é estranha...
Mas não aproveitá-la ao teu lado,
Seria o meu maior pecado,
Te amar, endeusar, mitificar, te sonhar...

... acordar...


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2.15.2008

Um poema II:
Brigadeiro


Morango com chantilly,
Sorvete com cobertura,
Pizza com Coca-Cola,
Atum com macarrão.

Mãos com peitos,
Pés com praia,
Noites com lua,
Namorados com beijos.

Amores sem roupas,
Suspiros com berros,
Gemidos com unhas,
Orgasmos com gritos.

Amar com música,
Acordar com ela,
Café com cama,
Prazer com preguiça,
Banho com banheira.

Beijos com abraços,
Carinhos com cabelos,
Filmes com escuro,
Sussurros com ouvidos.

Amor com ela,
Na praia, no verão, na primavera,
Seja outono ou seja inverno...
Arrepios com lábios,
Boca com boca.

Amar com paixão,
Amor com tesão,
Leite condensado com beijo,
Brigadeiro com ela.


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Crônica de Hoje:
Como se fosse um conto de fadas


O sujeito, um cara baixinho, barrigudo, careca, dentuço, nariz de batata - das grandes -, sombrancelhas juntas, pernas tortas... estava em sua casa de praia. Sentado numa cadeira de praia, na varanda em frente ao mar. Estava sossegado, coçando o suvaco e fumando um charuto. E foi exatamente nesse momento que uma morena gostosa apareceu na areia e olhou para ele. O sujeito esboçou um sorriso, mesmo envergonhado, do qual logo se arrependeu. A morena não chegou a diminuir o passo nem a mudar a expressão do rosto, mas dava olhadelas pelo canto do olho - como só as mulheres conseguem fazer, sem nem ao menos virar a cabeça.

O sujeito reclamou consigo mesmo algo nem ele entendeu. Levantou-se da cadeira de praia reforçada e, foi atras da morena. Correu como se fosse uma criança, o mais rápido que pôde - até caiu e ralou o joelho. Ele alcançou a morena. Deu um tapinha em suas costas - não alcançava os ombros - e, antes de entender o que estava acontecendo voou. Passou por cima da loira e se espatifou no chão, bem à frente dela.

Ela o reconheceu. Ele estava inconsciente. A moça chamou uma ambulância, que chegou em pouco tempo.

Quando acordou, o sujeito estava em uma maca de hospital. A morena, ainda de biquini, mas com uma tanga transparente ao redor da cintura, dormia na poltrona do quarto, de boca aberta. Um fio de saliva escorria-lhe pelo lado esquerdo dos lábios. E o sujeito, confuso, resolveu voltar a dormir.

Horas mais tarde, os dois acordaram. Começaram a conversar sobre a vida, sobre a "novela das 8", sobre praias, livros, filmes, família, sonhos, violência, silicone e mega-sena. Ela contou a ele sobre o curso de defesa pessoal e desculpou-se pelo golpe. Conversaram também sobre música, mas não muito. Então a moça, curiosa, pergunta:
"O que você queria me dizer?"
"Que tinha um bicho no teu ombro..."


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Um poema:
O que vai ser


O que será que vai ser
Do eu sem você,
Do amor sem porque,
De mim sem te ter?

O que será que vai ser
Se você me esquecer,
Se eu te perder,
Se você não aparecer?

O que vai ser de mim
Se você não disser que sim,
Se o chão não me amparar,
Se você não me amar?
O que vai ser de mim?

O que vai ser?
O que vai ser de mim?
Vai ser o fim.


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O giz vermelho

Era uma vez um giz de cera vermelho.
Foi uma vez um giz de cera vermelho.
Se foi uma vez um giz de cera vermelho.
Houve uma vez um giz de cera vermelho.
Existiu uma vez um giz de cera vermelho... que não foi visto nunca mais.


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2.13.2008

Um poema:
Doce e suave


Como o som das ondas
Ou como o rugir dos passos na areia...
Quatro pés se molhando, se encharcando, correndo à beira-mar.
As mãos dadas, os olhos dados.

O sol ainda não nasceu
Mas a noite está acabando, e
O amanhã é sempre um novo dia...
E novos dias, com coisas novas,
Novas e cada vez mais novas,
Nem sempre são tão bem vindos assim.

Mas a noite está acabando,
E o amanhã já está chegando..
Só que a noite ainda não terminou...
E terminar para que?


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Se algo acontecer comigo nos próximos dias, lembrem-se:

"Eu só queria alguns dias sozinho numa praia."


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Crônica de Hoje:
As coisas como são


"O que eu mais preciso é uma boa noite de sono!", disse Júlia.
"O mundo precisa!", respondeu-lhe Bruna.
"Mas eu preciso mais!"
"Ta bom, amiga... você é quem sabe."

Despediram-se, e estavam há três dias procurando um novo emprego. Trabalhavam juntas havia anos, e queriam continuar a amizade em algum outro ambiente.

Júlia tinha mais diplomas, mas era Bruna a formada em Administração. Júlia tinha mais experiência, mas era Bruna quem tinha o diploma da UFSM. Júlia era linda, mas os olhos verdes era Bruna quem tinha.

Júlia era a festeira da dupla. Geralmente era ela quem fazia com que Bruna saísse de casa, mesmo que um pouco a contra-gosto. Bruna preferia ficar em casa, vendo filmes ou lendo livros.

A dupla morava junto há algum tempo. Se entendiam bem em casa. E só levavam os namorados lá depois de três meses de namoro. Fora Júlia quem propusera a "regra", para espanto de Bruna. "Não quero trazer qualquer um aqui em casa. Em três meses de namoro da para saber muita coisa sobre uma pessoa.", disse Júlia, "E é o período crítico! Depois disso o namoro fica sério de verdade!", completou ela.

Bruna gostava de Iron Maiden. Já Júlia, ouvia "qualquer coisa". Foi difícil para Júlia aprender a ouvir heavy metal, mas alguém tem que ceder. E "metaleiro não cede! E só põe fone depois das 22:00!", dizia-lhe Bruna.

Bruna namorara uma vez. Durou menos de um mês. Ficava com um ou outro de vez em quando, mas "namorar sério? Só quando eu encontrar o meu escritor de olhos azuis, meu bem!", dizia ela. Júlia estava sempre namorando, mas era difícil chegar a três meses. "Não me aguentam mais tempo que isso.", choramingava ela, de vez em quando... mas logo sorria outra vez.

Uma não vivia sem a outra, era o pacto. Bruna organizava as contas e pagamentos da casa, mas era Júlia a incumbida do castigo que é ir no banco. Tinham uma empregada, Cleydy. Ela era meio estabanada, mas amava as patroas e era de confiança... o que não é muito comum hoje em dia.

Bruna foi contratada primeiro, e indicou Júlia como secretária. As duas trabalhando juntas novamente.

O tempo foi passando... a terra foi girando... o salário das duas aumentando... Bruna foi promovida, Júlia foi junto... e o tempo continuou passando... passando... passando...

Júlia estava namorando a quase quatro anos. Se casou. As duas choraram muito. Se despediram e, foram morar numa cidade de praia. Compraram dois apartamentos no mesmo prédio. Eram vizinhas agora.

Compraram um terreno. Construiram um edifícil de três andares. No primeiro andar, abriram uma livraria. No segundo, uma boate. E no terceiro montaram duas salas de cinema.

O tempo foi passando... foi passando... a livraria comprou o terreno ao lado esquerdo e se tornou, também, uma editora... a boate comprou o terreno do outro lado e, junto com o cinema, construiu outro prédio de três andares. No primeiro andar, foram postos sofás por toda parte, mesinhas de centro, e muitos bancos ao redor do bar, era o Café. No segundo andar, um PUB escuro e muito bem decorado, com entrada para a antiga boate. No terceiro andar, as duas salas se tornaram quatro.

O esposo de Júlia, também administrador, era sócio das duas. E Júlia, bom, ela acabou por fazer Administração, como os outros dois.

Bruna ainda não conseguira chegar a três meses de namoro com ninguém. Desistira. Estava escrevendo um livro, e já tinha publicação garantida. O lançamento seria na melhor livraria da cidade. A festa de lançamento, no mesmo dia, seria na melhor boate. E depois da noite de festas ainda tinha o Café!

E o tempo foi passando... foi passando... passando... e os Administradores viveram - viverão - felizes para sempre!

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Nota: Quem achar que é lavagem cerebral, por favor, leia o texto mais três vezes. Uma logo depois da outra.


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2.12.2008

Dica de banda:
Placebo


Músicas:
Blind
Infra-red
Drag
Post Blue


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2.11.2008

A poem:
A fool's poem


Fazia tempo que não aparecia um comentário "além-história" aqui no Conde. E o comeback é em inglês. O primeiro texto em outra língua a aparecer no blog.

Esse poema é antigo. A versão original foi escrita em português, mas a estrutura e o sentido das palavras em inglês dão um toque melhor ao texto - a esse texto em especial - na minha opnião.

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A fool's poem

I fell in love
And now i can't stop thinking about you

I'm a man who crys
And I hate being far from you

I love you more than anything
And to show you that, I decided to write to you

I wish I could be right next to you
And I wish I could feel you, hug you, be with you
'Cause there's no better thing to do

I love when you smile
And I love looking at you
There's not anything better to do

I hate saying goodbye
And leaving you.
And becouse of that I say
I promise you won't ever think about
Anything else,
Besides me and you

Because, darling, I love you,
More than any poem will ever tell,
More than any words I could ever say,
And it's because of that, I say
Today I'm gonna tell you a secret
That I've never told anyone,
And I've always been afraid from telling you.

The more I try
To look good and strong,
I feel lost,
And that's what destroys me,
You,
The way you are, the way you make me feel,
It makes me think about you,
And there's no better thing to do,
Besides loving you,
Because for me, there's only you.


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Um poema II:
Calor


Bem no alto,
Abaixo do mundo.
À direita do sol,
No centro da lua.

O corredor vazio,
A sala cheia.
Dentro de um mar sem água,
Ou de um oceâno de medo.

Uma árvore balança,
Se quebra, desmorona, vai ao chão.
Mata um homem, por compaixão.

A festa continua.
A orgia também.
Vou correndo para o corredor,
Nu, suando, cambaleando...
Ligar o ventilador.


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Um poema:
Túnel sem tempo


A ponte, por cima do rio
Da saudade, é um túnel sem tempo.

O viaduto, por cima das vias
Da paixão, é um túnel sem tempo.

No túnel, no túnel sem tempo,
As máquinas param. O corpo pára. Não se vive.

No túnel, no túnel sem tempo,
As bombas, as bombas de ar bombeiam. Ofegantes.

Lá, no túnel, não existe tempo,
A vida, que lá não vive, não desiste de viver.

No túnel sem tempo, o tempo
Que não existe, também não tem fim.

E o túnel, que liga você a mim, é assim
Aquecido, um pouco escuro, quase claro.

E o túnel, o túnel sem tempo, que liga você a mim,
É um caminho só de ida, só nosso, só para você e para mim.

O túnel sem tempo, é assim
Único, perfeito, eterno.
Feito só para você e para mim.


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2.10.2008

Crônica de Hoje II;
O futuro


A menininha gostava de observar formigas. Não só formigas, mas também grilos, lesmas...

Era capaz de passar o dia correndo atrás de borboletas, olhando aranhas, brincando com o cachorro...

Todos diziam que seria veterinária... que nada!

Virou roqueira.


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Pense:
"Nem para tudo se tem doido!"


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Crônica de Hoje:
Carta de Paulo à sua mãe


Querida, boa e gloriosa mãe. Agradeço-te por perdoar todos os meus pecados e permitir minha presença em vosso reino.

Oh, mãe, minha boa e poderosa mãe. Lhe agradeço por tudo que tens me proporcionado...
(...)

... mas eu queria só um aumentozinho na mesad...


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Um poema II:
O ponto da vista


No fundo do copo tinha um ponto.
Um ponto à vista da vista de todos.
O ponto não era negro - como quase todo ponto,
Era verde, azul ou acastanhado.

O ponto, que não era de vista,
Também não era na vista,
Era o ponto da vista,
O ponto da vista de quem vê, com a vista, o tal do ponto.


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Um poema:
O sujeito é o verbo


Camuflem as palavras!
Escondam as vírgulas e
Mudem de nome os pontos!

Salvem os verbos, pobrezinhos.
Há de haver concordância.

E os sujeitos, sujeitos a cada uma...
"Fulano, onde fica a feira?"
"Créo, quanto é o pastel?"
"Golias, meu nome é Josias."
(...)

Louvados sejam os substantivos.
Mas escondam-os também!

Ah, e as misturas...
Que grande mistura um pronome, um verbo e um substantivo!
"Eu tenho dinheiro!"
"Eu tenho casa na praia!"
(...)
Mas chega desse EUgoísmo.

Para terminar, nada de fim!
Uma conclusão, conclusão verbal!
Salvem os verbos! Protejam-os!
Terminou!

("Terminou o quê?", perguntou-se um leitor - "O poema, estúpido!" - berrou sua esposa.)


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2.6.2008

Crônica de Hoje:
A descoberta - Parte III

(continuação)

Com o fim da lua-de-mal, Pedro e Bianca voltaram para casa. E a fim de evitar - outras - possíveis brigas entre eles, decidiram que cada um teria o seu quarto. O apartamento tinha duas suites, portanto, não foi difícil chegarem a esse primeiro acordo. Mas quanto a quem ia ficar em cada quarto... Pedro acabou cedendo e ficando no de visitas. Bianca, confiante com a vitória na primeira batalha, ficou com a cama king-size e com a melhor ducha.

Alguns dias se passaram e os dois mal se viam. Pedro saia de casa as 7:00 e só chegava por volta das 19:00. Bianca saia as 8:00 e chegava as 18:00. Pedro trabalhava do outro lado da cidade, sempre pegava mais trânsito e demorava mais. Pedro acordava. Lia o jornal tomando café. Tomava um banho e ia trabalhar. Bianca esperava ele ir embora. Levantava. Lia o jornal tomando leite com café. Tomava um banho e ia para o trabalho. À noite, cada um fazia sua janta e ia se deitar. Era assim durante a semana.

Nos fins de semana, Pedro ficava no quarto vendo filmes. Bianca também ficava no quarto, mas via filmes, seriados, futebol - era palmeirense roxa de tão verde -... aproveitava tudo que a tv via satélite lhe proporcionava. Para o almoço cada um pedia uma coisa, geralmente em restaurantes diferentes.

Pedro estava quase pedindo a separação. Não aguentava mais aquilo. Estava decidido a terminar o casamento. Estavam casados há mais de um mês e nada. Foi exatamente quando Pedro estava pensando em "como..." que Bianca, pela primeira vez, entrou no quarto de Pedro. Ela vestia uma camisola de seda. O tom rosa claro da vestimenta, que contornava as formas de Bianca, delineando cada curva, cada parte de seu corpo, deixava Pedro arrepiado. Ela o olhou nos olhos... subiu em sua cama... deu-lhe um beijo na boca... - Pedro já estava delirando, havia sonhado com esse momento a vida toda, estava com remorso só de pensar que pensou em acabar com seu casamento... - tirou a camisola bem devagar...

Depois dos agradecimentos, elogios, beijos e abraços molhados...

"Pedrinho, queria te pedir uma coisa...", disse Bianca, abraçada em seu esposo.

"O que você quiser, meu amor!", respondeu ele.

"Queria que você fosse dormir no meu quarto..."

"Com todo o prazer!"

"Pedrinho..."

"Que foi amor?"

"Minha mãe chega amanhã aqui, e..."

(continua)


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Um poema III:
Medrosos


O medo de perder,
O medo de ganhar,
O medo de existir, de ser,
Ter medo de acreditar... tentar...
O medo da vida... de viver...
Medo do infinito, de Baco, do inferno,
Medo do céu, do mau Deus...
De ter... esquecer... prometer...
De fazer por merecer.


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Um poema II:
Ser humano


O mundo é quadrado,
Frio, falso e mentiroso.
Mundo redondo... ridículo.

E o medo amedrontado, a folia contida,
Pela morte, pelo desejo, pelo sexo e pela vida...
Que grande maravilha!
Mundo medroso! Mundo mentiroso!
Mundo disso, daquilo... Que maravilha!


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Férias!

"O que? Até parece! - risadas - Podem até ser férias... mas descansar tu não vai!!"


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Um poema:
Perdido


Com 100 mil palavrões
Um novo amanhecer reje cada dia

Com 100 mil pensamentos
Uma nova idéia surge e em segundos desaparece

Mas sem que ninguém pessa,
O tempo passa,
E a gente se perde,
Num labirinto infinito
De solidão e depressão
Que não tem fim nem solução.

Nem tudo está perdido,
A vida continua,
100 mil novas manhãs se passam,
E aqueles 100 mil pensamentos
Não param de incomodar,
Eu não queria ser essa bomba,
Não queria sempre te enganar

100 mil palavrões, no meio de ilusões,
Amores e sensações,
100 mil decepções,
Entre lutos e orações

Nesse cemitério de palavras,
Que figem serem amáveis
Num inferno ao ar livre,
Ou debaixo de um teto de concreto,
Entre quatro paredes e um corrimão,
No meio de um círculo vicioso,
Em que eu sou tudo, eu sou um desastre, sou uma decepção

E ao som de aplausos,
Que nada mais são que palavrões,
Eu levanto toda manhã,
Com meus 100 mil pensamentos e ilusões,
Nessa minha natureza mascarada,
Com 100 mil amores e decepções.


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2.4.2008

Crônica de Hoje II:
Nem parece férias


Era uma tarde de verão, por volta das 16:30. Alguns pedaços de algodão ainda estavam grudados no céu. Nem sinal da tempestade do dia anterior.

Dizem que quando um anjo cai, Deus manda as nuvens para amortecer um pouco a queda e dar a eles algo para tratar dos ferimentos. Então, Deus manda a chuva, para prevenir infecções. Como Deus é bom!

E que dia fazia na praia! Que sol! Nem parecia temporada de férias. Até a brisa estava de bem com a vida. O sol já não brilhava tão forte, mas era capaz de tostar quem se atrevesse demais e não usasse filtro solar.

A areia estava fofa. A água estava fresca. O guarda-sol havia sido bem preso. As crianças corriam e gritavam. Alguns gordinhos balançavam as banhas ao pular ondas. Outros prestavam atenção nas celulites, nas curvas, nos tanques...

"Nem parece que são férias!", comentou um turista para Horácio.

"É verdade... nem parece mesmo..."

"É a primeira vez que faz sol enquanto eu estou na praia...", comentou.

"Não te anima muito...", respondeu Horácio, "Eu estou aqui. Alguma coisa muito pior do que ficar sem sol vai acontecer! Pode apostar!"

"Qual é cara? Curte a vida! Para de reclamar! Eu estou só aproveitando..."


"Cara, eu conheço o autor dessa crônica! Tenho CERTEZA que algo vai acontecer!"

"Tu que sabe! Vou dar um mergulho, tu cuida das minhas coisas um minuto?"

"Claro! Vai lá.", disse Horácio ao estranho.

"Gente fina ele... o cara nunca me viu na vida e já está confiando as coisas dele a mim... acho que nem minha mãe confiaria tanto assim em mim..."

Alguns minutos depois:

"Droga de vontade de ir no banheiro!", repetia Horácio. "Mais um pouco e eu vou e deixo essas porcarias aqui... Que...!"

Quase uma hora depois:

"Porcaria! Nunca mais cuido de nada dos outros!"

Duas horas depois - quando Horácio já estava com dores - o cara aparece:

"Conheci uma guria show de bola! Desculpa a demora!"

"Não foi nada!", respondeu Horácio, feliz por ter cumprido com sua missão, "Vou no banheiro rapidinho, tu cuida das coisas para mim?"

"Mas é claro!"

Quando voltou, não havia nada. Não havia amigo. Não havia guarda-sol, não havia cadeira... protetor, carteira, isopor com cerveja... absolutamente nada.

"Era tudo dele mesmo!", e foi dar um mergulho, sem responsabilidade nenhuma.


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Crônica de Hoje:
O que foi que eu esqueci?


A viagem era as 14:00. No dia anterior suas malas já estavam praticamente prontas, só faltava uma ou outra coisa. Não que ele fosse alguém precavido ou algo assim... certas pessoas são simplesmente ansiosas.

Por volta das 13:00 ele já estava totalmente pronto. A mala e a mochila estavam ao lado da porta da frente. Ele sabia que o taxi só chegaria as 13:30, tinha combinado com o motorista logo que soube a data da viagem, alguns dias antes.

"Será que ele vem?", pensou o sujeito, por volta das 13:05, enquanto andava de um lado para o outro da sala.

A viagem náo era nada de especial ou importante. Era uma viagenzinha qualquer, daquelas "pa-pum" - fui e já voltei. Ia jantar com um cliente - talvez de graça, talvez não - e voltar com o ônibus das 23:30.

13:08. "Cadë aquele taxista?", reclamava ele enraivecido... ainda andando de um lado para o outro.

13:11 o telefone toca. "Bom dia Senhor! Meu nome é Marta e eu gostaria de lhe informar sobre a nova promoç..."

"Vá à merda!", disse, ainda mais enraivecido.

E ele andava de um lado para o outro. Já tinha ido ao banheiro duas vezes - para prevenir.

13:18... e ele andava falando palavrões, bem baixinho, só para relaxar. "Relógio maldito!", era uma das frases sussurradas com maior frequência.

As 13:25 o taxista encostou seu carro. O sujeito, embora ainda irritado, agora já estava um pouco mais tranquilo.

Saiu de casa, comprimentou o motorista e pediu "um minuto". Fred, o taxista, conhecia o cliente.

O sujeito voltou para dentro de casa e pegou uma lista impressa e uma caneta. Sua ex-namorada fora quem lhe sugerira esse método. A lista, com quadradinhos à serem preenchidos com um "X" a frente de cada item, tinha tudo que ele sempre esquecia, e a cada nova viagem ganhava itens novos. Conferiu. Estava tudo lá.

Sua ex o aguentou um bom tempo. Mas não aguentou. "Chega!", foi a última palavra que ele ouviu dela.

Levou a mala e a mochila para fora de casa. O taxista esperava e, foi carregar as malas enquanto o sujeito trancava a porta.

Em menos de cinco minutos estavam na rodoviária. Era 13:42 quando, à espera do ônibus, o sujeito voltou a andar de um lado para o outro - e vice-versa.

"Quer comprar bala tio?"
"Não!", tentou não parecer muito irritado, ao negar para a criança, mas... bom...

13:47. O ônibus encostou. Ele era o primeiro da fila. Queria entrar logo, mas o motorista pediu para "esperar um pouco".

13:52. Então, o motorista parou ao lado do ônibus e, para desespero do sujeito, disse:

"Sua passagem, por favor."


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O Conde, de Ivan Grycuk
Contato: ocondeivan@hotmail.com
No ar desde: 01/12/2007

Acesse também O Duque - Contos da Vida, por André Fleuringer.

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